A empresa está
apostando em uma mudança no mercado da iluminação, com o abandono das
ineficientes lâmpadas incandescentes em troca de diodos emissores de
luz —LEDs— mais conhecidos até o momento por seu uso nos indicadores
iluminados encontrados na maior parte dos produtos eletrônicos.
"Em
termos de valor, por volta de 2015 os LEDs serão maiores que as fontes
convencionais de luz", disse Niels Haverkorn, executivo da Philips. No
quarto trimestre de 2009, os produtos de LEDs pela primeira vez
responderam por mais de 10 por cento das vendas da área de iluminação
da Philips.
Feito de diodos, ou chips, o primeiro LED prático,
uma luz vermelha, foi desenvolvido em 1962. Agora, a tecnologia avançou
a ponto de permitir que produzam luzes com todas as cores do espectro.
Para
ajudar a atrair atenção ao potencial de ganho de escala dos LEDs, à sua
queda de preços e à redução de emissões de gases causadores do efeito
estufa que ele propicia, a Philips na virada do ano converteu os
famosos números da Times Square Ball —que é baixada e erguida para
simbolizar a chegada do ano novo— à tecnologia LED.
Outras
amostras da tecnologia incluíram iluminação por LEDs de moinhos de
vento holandeses considerados parte do patrimônio histórico da
humanidade, em Kinderdjik, e um poste de iluminação pública com LEDs
acionados por energia solar, usado durante a conferência sobre o clima
em Copenhagen.
As vantagens dos LED incluem a durabilidade e
eficiência energética. Lâmpadas com essa tecnologia não contêm
mercúrio, em contraste com as lâmpadas fluorescentes convencionais, que
se tornaram a primeira alternativa às lâmpadas incandescentes, nos anos
de 1980.
A Philips estima que os LEDs tenham respondido por
apenas seis a oito por cento dos 45 bilhões a 50 bilhões de euros em
vendas anuais de iluminação em 2009. A empresa, que vendeu 6,5 bilhões
de euros nesse segmento em 2009, calcula que o mercado mundial de
iluminação vá movimentar mais de 80 bilhões de euros em 2015.
Analistas
alertam que a competição nesse nascente segmento vai se tornar brutal.
Os principais rivais da Philips são Osram, da Siemens; General
Electric, Sharp, Samsung, e a norte-americana Cree.
Antecipando-se
a isso, e com as lições aprendidas com o tombo nos preços dos
semicondutores, a companhia de 119 anos de existência está aumentando
produção de LEDs.
Onde antes a empresa costumava fabricar apenas
lâmpadas, a oferta de LEDs envolve uma "solução", como uma luminária
pronta.
"A técnica de produção é bastante similar à fabricação
de semicondutores, em que as fábricas competem principalmente em
preço", disse o analista Jan Hein de Vroe, do ING. "Nesse sentido,
acreditamos que será inteligente a Philips se mover com foco em
"soluções".
PREÇOS EM QUEDA
Mas mesmo com o
posicionamento mais estratégico da Philips no mercado LED, os desafios
que a empresa enfrenta incluem preços elevados que estão fazendo com
que varejistas evitem estocar produtos com a tecnologia.
Uma
luminária LED capaz de produzir luz "quente", um tipo que apenas as
maiores empresas do setor como a Philips são capazes atualmente de
produzir, é muito cara.
O custo atual é de cerca de 46 dólares
por 1.000 lumens, medida de intensidade de luz, ou unidades de luz
"quente", ante 25 dólares da variedade "fria".
Até 2015, o
custo de luzes LED quentes deve recuar para 4 dólares por 1.000 lumens
ante 2 dólares das luzes frias, segundo estimativas do Departamento de
Energia dos Estados Unidos. O custo de produção por 1.000 lumens no
caso das lâmpadas incandescentes é de 0,29 dólar.
A expectativa
é que o custo de produção de luzes LED caia abaixo do custo de lâmpadas
fluorescentes compactas até cerca de 2013, mas elas ainda serão mais
caras que lâmpadas incandescentes.